Símbolos plácidos

Símbolos plácidos, cândidos não.

0 notes

A atmosfera estava tão úmida que os peixes poderiam entrar pelas portas e sair pelas janelas, navegando no ar dos aposentos.
Gabriel Garcia Marquez

0 notes

Sou meio avessa à vida. Depois de grande, o medo. Pago agora as promissórias de indiferença emitidas na infância.

0 notes

Você vai sentir uma coisa estranha, ela disse. Teria sorrido, não fosse a sabedoria de escada e o medo a esvair-me. Tudo o que tenho feito é sentir coisas estranhas.

0 notes

Da morte perdi até mesmo aquela imagem vaga que costumava carregar comigo, e conformei-me. Início da noite, cemitério, vento frio. Ocorreu-me, então, com a naturalidade que me ocorre o sobrenatural, que a morte combina com toda estação. Ela é acompanhada pelo gelado do inverno e pelo seco angustiante do verão. Acompanha-a a ausência de relevo do outono e da primavera. É sempre tempo de morrer. E morremos, sem cerimônia. 

0 notes

Na igreja, ela comunga. Pro Buda, ajoelha. Pro Santo, bate a cabeça. Contou-me assim, sorridente. Rapidamente cativou-me com este desprendimento tão puro. Não soubesse eu, confundi-lo-ia com a mais completa ausência de fé.

0 notes

Ainda não me deitei, mas sinto-me como quem recém acordou: com aquela alegria indiscreta de quem tem também a segurança da fé. As crianças brincam pela casa. O cachorro, tá nos planos. 

0 notes

Começou ontem, no meio da vida, essa urgência doida, doida. Tenho estado perdida nos dias, nas noites, no quase inverno, nos horários e nas palavras, mas não me engano: começou ontem. Houve um tempo no qual eu a quis loucamente até, aquietando-me, adormecer o desejo. Deixei-o esquecido em sabe-se lá qual parte do corpo ou da razão. Ontem, quando não pude mais manter o pensamento fixo nos espectros pobres em realidade que se apresentam a mim em formas e ideias chatíssimas, fugi sem deliberar para o corpo dela. E então a urgência doida, doida. Uma ideia já tão saturada com sentimentos desencadeia orgasmos imaginários estando o corpo dela presente. Contenho-me; Não se pode ter tudo o que quer.